Where the worlds
collide


28 de março de 2020

Samuel de Sabóia mostra como une os mundos da arte e da moda de forma orgânica e não-óbvia e conta seus projetos para 2020.

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Texto Giuliana Mesquita
Fotografia Wallace Domingues
Vídeo iosolini
Make Jo Portalupi THINKERS
Edição de moda Thiago Ferraz
Produção de moda Gabriel Fabosa
Samuel de Sabóia veste GUCCI
Agradecimentos GUCCI



Provavelmente essa não é a primeira vez que você ouve o nome de Samuel de Sabóia. Nascido no Totó, bairro periférico de Recife, no Pernambuco, ele começou a se interessar por arte muito cedo. Seus pais, pastores, achavam que ele estivesse possuído por forças malignas quando ele começou a pintar, aos 12 anos de idade. Desde aquela época e até hoje, suas telas traduzem, no entanto, um pouco da sua vida, dos seus sentimentos, de suas vivências, dos seus amores, dos seus credos. Conhecer Samuel é como materializar suas pinceladas felizes, imprevisíveis, com riso fácil e senso de estilo, mas sempre consciente de seu passado, de seu presente e de seu futuro. Futuro esse que ele planeja, sonha e trabalha para que aconteça. Antes dos 21 anos, ele já tinha feito exposições solo em São Paulo, Nova York e Los Angeles, só pra citar algumas.

Samuel é um ótimo exemplo do artista que não se descola completamente da sua arte, fazendo com que sua personalidade, sua presença online, suas paixões e seus (muitos) outros talentos alimentem esse talento e vice-versa. Um artista do mesmo futuro para o qual ele trabalha tanto para se concretizar. Em tempos em que muitas vezes se defende que o artista (ou cineasta, ou fotógrafo, ou ator – a lista é enorme) seja separado de seu trabalho, Samuel é um alento. Tudo sobre sua pessoa se complementa de forma orgânica – o que, nesse caso, não pode ser traduzido para óbvio.


Na moda, outro de seus grandes interesses, o artista encontrou uma forma de comunicar como se sente, como se encontra em determinado ambiente e ainda de mostrar como combina os dois mundos pelos quais ele transita: a moda e a arte. “A moda, muitas vezes, também é uma armadura”, conta. “Eu gosto de estilistas que colocam seu espírito no trabalho, dos que usam moda como uma maneira de criar e estabelecer um universo próprio”, continua. “A distópica Rei Kawakubo, a melancólica Simone Rocha, a dualidade de Rick Owens e a precisão de Kim Jones me trazem muita alegria”.


Há uma percepção geral e um ditado popular de que nenhum tipo de moda é arte. Essa tese é defendida por críticos e amantes da arte para separar as duas áreas como se fossem sempre distintas. Samuel discorda. O pernambucano é a prova viva (e atuante) que os dois mundos podem se misturar, se influenciar e se complementar.  “A moda possui um viés artístico, mas, diferente da arte, existe uma necessidade de funcionalidade (na maioria das vezes) e, a partir disso, os estilistas dissecam seus estudos. Existe muita emoção, mas muita atenção aos detalhes. São dois ingredientes que podem se mesclar e tornar um só ou serem totalmente separados”, explica.






“A moda, muitas vezes, também é uma armadura”  



De Sabóia está atualmente morando em Zurique, onde finaliza sua exposição, que deve inaugurar em junho deste ano, mas ainda não tem data certa devido a crise de Covid-19. “Esperem telas novas e esculturas bem maiores. Estou com muitos sonhos e ideias para esse novo projeto: será uma solo e uma seção em comunhão com Flávio de Carvalho, mostrando o velho e o novo no Brasil como força crescente, representando a arte sulamericana em um ambiente completamente novo”, explica.










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